Governo de Mão Santa no Piauí enfrenta enxurrada de acusações

 


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ALESSANDRA KORMANN
dada Agência Folha, em Teresina

É caótica a situação do Estado que o senador Hugo Napoleão (PFL) vai administrar, substituindo o governador cassado Francisco de Assis Moraes Souza, o Mão Santa (PMDB).

Há denúncias de corrupção em várias áreas do governo, principalmente no setor de saúde. Cerca de 70 auditores do Ministério da Saúde fizeram uma devassa em hospitais do Estado, a pedido do procurador da República no Piauí, Tranvanvan Feitosa.

O relatório final ainda não foi concluído, mas há indícios de fraudes grosseiras no SUS (Sistema Único de Saúde), como realização de partos em crianças, ultra-som vaginal em homens e cirurgias em pessoas mortas.

"Não tem no dicionário nenhuma palavra que possa medir o grau de corrupção em que o secretário de Saúde, Paulo Lages, está envolvido", disse a promotora Clotildes Carvalho, que participa das investigações.

Em setembro, denúncias de tráfico de influência envolvendo o filho do governador Francisco Moraes Souza Júnior, conhecido como "Mão Santinha", chefe do Gabinete Civil, levaram a Procuradoria a pedir a quebra dos seus sigilos bancário e fiscal _o que ainda não foi concedido pela Justiça.

Sobre a primeira-dama Adalgisa Moraes Souza, pesam acusações de que ela tenha distribuído em troca de votos, durante a campanha, mercadorias contrabandeadas que foram apreendidas pela Receita Federal. Segundo a lei, as mercadorias devem ser leiloadas.

Também há inquéritos correndo na Polícia Federal sobre desvios de recursos do Fundef (Fundo de Valorização do Ensino Fundamental) e sobre a suposta contratação irregular de centenas de pessoas para trabalhar como cabos eleitorais do governador.

A segurança pública do Estado também está em crise. A Polícia Militar programava para sexta-feira uma paralisação por tempo indeterminado, mas recuou com a cassação de Mão Santa.

Os policiais civis, no entanto, decidem amanhã em assembléia se entram em greve. O vice-presidente do sindicato da categoria, Raimundo Nonato da Silva, acredita que as negociações ficarão mais difíceis se Hugo Napoleão assumir o governo.

A assessoria de Mão Santa negou todas as acusações, que classificou de "denúncias corriqueiras e políticas".

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