Polícia prende grupo acusado de matar comerciante de ouro em Teresina

 


Crime foi planejado e teve falsa negociação como isca; sistema de videomonitoramento com IA ajudou a identificar rota de fuga

Alexia Diaz
Por: Alexia Diaz
23/01/2026 às 07h04
Polícia prende grupo acusado de matar comerciante de ouro em Teresina
Foto: Reprodução/ SSP-PI

A Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (23), a Operação Caronte, no âmbito da Operação Ouro Sujo, com o objetivo de prender os envolvidos no latrocínio que vitimou o comerciante de ouro Edivan Francisco de Moraes, assassinado no dia 3 de janeiro deste ano, em Teresina. A ação resultou no cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão nas cidades de Teresina, Altos e Timon, no Maranhão.

As investigações, conduzidas pela Polícia Civil do Piauí por meio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), apontam que o crime foi cuidadosamente planejado, com divisão de tarefas entre os envolvidos, desde a atração da vítima até a fuga após o assassinato.

Edivan Francisco atuava na comercialização de ouro e realizava negociações presenciais com frequência. No início de janeiro de 2026, ele passou a receber contatos insistentes sobre uma suposta compra de cerca de 98 gramas de ouro, avaliadas em aproximadamente R$ 40 mil. A proposta criou um cenário de aparente normalidade comercial e levou a vítima a aceitar o encontro.

De acordo com o delegado Natan Cardoso, responsável pelas investigações, G.R.S., conhecido como “GG”, foi o principal intermediador da falsa negociação, mantendo contato direto com a vítima por mensagens e ligações, utilizadas como isca para atrair o comerciante ao local onde o crime seria executado. No dia do latrocínio, Edivan foi monitorado em tempo real durante o deslocamento até o ponto combinado.

Ao chegar ao local, o comerciante foi surpreendido e executado. Segundo a Polícia Civil, a motivação do crime foi patrimonial. Após o homicídio, os criminosos subtraíram joias de ouro que a vítima utilizava e um equipamento de armazenamento de imagens, na tentativa de eliminar provas.

As investigações indicam que A.S.F.J., conhecido como “Neurótico”, e E.S.C., o “Raimundinho”, participaram diretamente da execução. Já V.N.S. é apontado como responsável pelo apoio logístico, fornecendo um veículo utilizado antes e depois do crime. L.B.N., conhecido como “Rei do Ouro”, teria participado do monitoramento prévio da rotina da vítima, enquanto J.S.S., o “Do Mal”, aparece vinculado à estrutura operacional do grupo.

Após o latrocínio, os suspeitos fugiram utilizando o veículo da própria vítima. A partir disso, o Sistema de Videomonitoramento por Inteligência Artificial (SPIA) teve papel decisivo para o avanço das investigações, permitindo o rastreamento do trajeto do automóvel e a reconstrução da rota de fuga.

“O uso das câmeras do SPIA foi fundamental para identificar o deslocamento do veículo subtraído e conectar os investigados à dinâmica do crime. Esse trabalho integrado foi decisivo para a identificação do grupo criminoso”, destacou o superintendente de Operações Integradas da SSP, delegado Matheus Zanatta.

O coordenador do DHPP, delegado Francisco Costa, o Baretta, ressaltou que o caso é tratado como prioridade. “Foi um crime grave, com claros indícios de planejamento e interesse patrimonial. Nossas equipes trabalharam desde as primeiras horas para identificar cada envolvido e dar uma resposta firme à sociedade”, afirmou.

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