A Polícia Militar afirma que Leandro e a esposa teriam sido feitos de reféns, mas Roberta contesta, afirmando que a polícia entrou na residência atirando
Na última quarta-feira (18/03), o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) do Rio de Janeiro-RJ, realizou uma operação no Morro dos Prazeres que deixou oito pessoas mortas, entre elas Leandro Silva Sousa, piauiense de 30 anos, que foi atingido por um tiro de fuzil na nuca.
Leandro era ajudante de cozinha e natural do município de Milton Brandão, localizado a 239 km de Teresina. De acordo com a Polícia Militar do Rio de Janeiro, a casa de Leandro foi invadida por criminosos, que fizeram o morador e a esposa reféns, e houve tentativa de negociação antes do confronto. A esposa de Leandro, Roberta Ferro Hipólito, nega a versão da polícia.

Em entrevista ao RJTV, exibida na TV Globo, Roberta afirmou que o casal não foi rendido, sequer houve negociação e os policiais entraram na residência atirando.
“Não teve nenhum tipo de confronto. A polícia estava o tempo todo gritando ‘joga os fuzis pra fora, joga os fuzis pra fora’. Quando eu escutei a polícia falando ‘pega a granada’ foi o momento que eles arrebentaram a minha porta com a granada e entraram atirando onde meu marido morreu. Não houve negociação nenhuma. Em momento algum eu vi polícia pedindo negociação pra mim e pro meu marido sair de casa. [A polícia] Não perguntou se tinha morador, não perguntou se tinha pai de família, não perguntou nada“, afirmou.

Além disso, a viúva afirmou que foi orientada por um dos policiais a afirmar que quem atirou em Leandro foi um dos criminosos alvos da operação.
“Quando eu sai pra fora ele falou assim: ‘Você tem que ir na delegacia, prestar seu depoimento e falar que foi um bandido que atirou no seu marido’. Eu falei que não vou. Eu não falei e nem vou falar porque não vi bandido atirando no meu marido”
Segundo Roberta, a família encontra dificuldades para o translado do corpo para o Piauí, pois os documentos do auxiliar de cozinha desapareceram. De acordo com a família, Leandro era um “filho, irmão e amigo amado”, de “coração bom e cheio de sonhos”. A família também se mobilizou para custear o translado e pede doações via Pix, em nome de Ivanildo da Silva Sousa (00450113388)

Quatro policiais do BOPE foram afastados do patrulhamento nas ruas após suspeita de uso irregular das câmeras corporais durante a operação. A decisão foi tomada após uma análise preliminar das ações realizadas na operação, que identificou indícios de mau uso das câmeras operacionais portáteis, de uso individual obrigatório pelos policiais. Além da Polícia Civil, a Corregedoria da Polícia Militar também investiga a conduta dos agentes.
Na quinta-feira (19/03), promotores e peritos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) estiveram na casa onde ocorreram as mortes e realizaram uma perícia. Além disso, o MPRJ também acompanhou as necropsias dos corpos no IML.
Durante a ação, além de Leandro, outras sete pessoas morreram. A ação tinha como principal alvo um homem identificado como Claudio Augusto dos Santos, conhecido como Jilós dos Prazeres, apontado como chefe do tráfico da região. Jiló foi morto durante a operação.