Especialistas avaliam que a diversidade dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode exigir uma revisão dos critérios atuais de diagnóstico.
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| Foto/Reprodução |
Pesquisadores internacionais passaram a discutir a possibilidade de uma mudança na classificação do autismo nível 1, avaliando se esse grupo poderá, no futuro, receber uma categoria própria fora do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A proposta considera que o conceito atual de espectro reúne pessoas com perfis, capacidades e necessidades de suporte muito diferentes.
O debate ganhou destaque após especialistas apontarem que a ampla variedade de características presentes dentro do diagnóstico pode dificultar a compreensão científica e clínica do autismo.
A discussão, no entanto, ainda está em fase de avaliação e não representa uma alteração oficial nos critérios diagnósticos utilizados atualmente.
Pesquisadores questionam se o conceito de espectro ainda representa toda a diversidade do autismo
Atualmente, o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista engloba desde pessoas com alto nível de independência até indivíduos que necessitam de suporte intenso durante toda a vida.
Dentro do mesmo diagnóstico estão pessoas com diferentes níveis de comunicação, autonomia, desenvolvimento cognitivo e necessidades de acompanhamento.
Especialistas afirmam que essa grande variação levou parte da comunidade científica a questionar se todas essas manifestações deveriam continuar reunidas dentro de uma única categoria.
Uma das pesquisadoras que passou a defender uma revisão do conceito de espectro é a psicóloga britânica Dame Uta Frith, considerada uma das principais referências mundiais nos estudos sobre autismo.
Em entrevista ao jornal britânico The Times, em março, Frith afirmou que o conceito atual pode ter perdido parte de sua utilidade científica diante da diversidade encontrada entre as pessoas diagnosticadas.
“Já não existe um denominador comum para todas as pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista”, declarou a pesquisadora.
A fala chama atenção porque Frith teve papel importante na construção do entendimento moderno sobre o autismo, contribuindo para a ideia de que a condição apresenta diferentes formas de manifestação.
Apesar do debate, o autismo continua sendo oficialmente classificado como um espectro nos principais sistemas internacionais de diagnóstico, como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) e a Classificação Internacional de Doenças (CID).
Uma eventual mudança dependeria de novas pesquisas científicas, análises de especialistas e avaliações sobre os impactos para pessoas autistas e suas famílias.
Entre os pontos considerados pelos pesquisadores estão as consequências para o acesso a terapias, adaptações escolares, direitos garantidos por políticas públicas e serviços de apoio.
A possibilidade de uma nova classificação gera discussões entre profissionais da saúde, pesquisadores e integrantes da comunidade autista.
Defensores da mudança argumentam que uma classificação mais específica poderia permitir um atendimento mais adequado às necessidades individuais.
Por outro lado, especialistas alertam que qualquer alteração precisa garantir que pessoas já diagnosticadas não percam direitos ou tenham dificuldades para acessar suporte e serviços essenciais.
Até o momento, não houve nenhuma mudança oficial na definição do Transtorno do Espectro Autista. Pessoas diagnosticadas com autismo nível 1 continuam fazendo parte do TEA conforme os critérios médicos vigentes.
A discussão segue em andamento entre pesquisadores, que buscam formas de compreender melhor a diversidade do autismo e aprimorar os modelos de diagnóstico utilizados no mundo.
