Por Jade Araujo e Felipe Cruz
Fotos: TV Cidade Verde

Um ano após o assassinato do vereador Thiciano Ribeiro familiares administram o Instituto Thiciano Ribeiro, na cidade de Parnaíba, litoral do Piauí. O vereador foi assassinado a tiros junto a chefe da Guarda Civil Municipal de Parnaíba, Penélope de Brito, no dia 27 de agosto, no Centro de Teresina.
O acusado do crime, guarda municipal Francisco Fernando Castro, foi preso horas após o ocorrido. Ele era ex-companheiro de Penelope.
Um ano após a morte do vereador, a família lembra com saudade dos momentos vividos ao lado do parlamentar. Pedro Rodrigues, primo e ex-assessor de Thiciano, conta que foi morar em Parnaíba a convite dele e que juntos dividiam sonhos e projetos.
“Nossa relação era de irmão. Tínhamos essa parceria, sempre juntos, quando vinha a Parnaíba ficava na casa dele. Iniciamos esse projeto juntos e concluímos juntos porque eu era assessor dele na Câmara, infelizmente fui uma das pessoas que ficou sabendo primeiro dessa tragédia e a falta dele é grande. Porque a gente todo dia se falava, trabalhávamos juntos, fazíamos processos juntos, então para gente é um baque grande. Fico emocionado em lembrar dele, era meu irmão mesmo que a gente vai levar para sempre”, cita.

Descrito pelo primo como irreverente, carismático, brincalhão e como alguém sincero e responsável, Thiciano foi eleito como primeiro suplente do Partido Liberal (PL), assumindo o cargo de vereador em Parnaíba no dia 13 de maio de 2025, após o falecimento do vereador Bruno Vasconcelos Cunha, conhecido como Brunão, de 40 anos.
O padrasto de Thiciano, Ataliba Costa, lembra que o ex-vereador tinha o sonho de assumir o parlamento.
“O que mais dói na família é a falta da presença física de um bom filho, um bom vereador que lutou até quando possível para chegar a Câmara da sua cidade natal. E a família, devido a forma trágica e covarde que foi abatida a vida dele, é de muita reflexão por ver que existem pessoas inescrupulosas com nenhuma sensibilidade de ser humano. A mudança é sem dúvida a falta da sua presença no momento, mas Deus haverá de dar o conforto necessário para que possamos dar continuidade ao legado que ele tanto sonhou, trabalhou para ter. Thiciano está mais vivo do que nunca nesse momento de dor”, afirma.

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Morte gera nascimento de instituto
No dia 9 de novembro de 2025, quando Thiciano completaria 41 anos, foi aberto o Instituto Thiciano Ribeiro. O local, que tem sede na casa em que o ex-vereador morava, funciona como projeto social com atendimento psiquiátrico, neuropediatra, psicólogo, ginecologista, além de projeto social no esporte.
Segundo Pedro Rodrigues, o nascimento do instituto mantem vivo o legado que Thiciano pretendia construir em seu mandato como parlamentar.
“Virou de ponta-cabeça, né? Porque a gente tinha o Thiciano como uma base ali nossa, ele era a nossa base. E quando ele faleceu, a gente começou a tomar a frente. Teve essa projeção do Instituto, essa ideia que a gente veio para somar, veio para ajudar e tentar ajudar as pessoas de Parnaíba. Que é o principal e que era o que o Thiciano gostava de fazer. Então, pra gente mudou basicamente, deu um giro de 360 graus aí na nossa vida. Inclusive, o Instituto é como se fosse um renascimento do Thiciano, dos projetos que ele tinha, das ideias, o que ele gostava de fazer, que era ajudar as pessoas. Então, o Instituto veio justamente para isso, para gente poder está dando esse direcionamento para as pessoas aqui em Parnaíba e tá dando esse suporte, essa ajuda, tanto na parte da saúde, como na parte do esporte e na parte da assistência também", conta.

“A gente vai procurar servir em função do que ele sempre pensou para ser melhor qualidade de vida para todos. A ideia foi da família, principalmente da mãe dele. Ser útil ao próximo é algo maravilhoso e nós estamos aqui ainda engatinhando com esse trabalho. Queríamos ele vivo, para ele mesmo dar toda gestão das coisas que ele sempre pensou enquanto vereador”, afirma o padrasto.
Acusado foi pronunciado e aguarda julgamento
A juíza Maria Zilnar Coutinho Leal, da 2ª Vara do Tribunal Popular do Júri de Teresina, determinou que o guarda municipal Francisco Fernando de Oliveira Castro seja levado a Júri Popular. Ele é acusado de assassinar a ex-companheira, Penélope Miranda de Brito Castro, e o companheiro dela, Thiciano Ribeiro da Cruz, em agosto de 2025, no Centro de Teresina.
A magistrada também manteve a prisão preventiva do acusado, que segue custodiado aguardando o julgamento.
O crime aconteceu na manhã de 27 de agosto de 2025, nas proximidades do hospital ProntoMed, na Rua Dr. Arêa Leão. Utilizando uma pistola 9mm da Guarda Municipal, Francisco Fernando efetuou diversos disparos contra o casal em plena via pública.
Investigações e depoimentos apontam que o réu não aceitava o fim do relacionamento de 10 anos com Penélope e mantinha histórico de perseguição e ameaças contra a ex-companheira.
A sentença de pronúncia enquadrou as acusações da seguinte forma:
- Feminicídio Majorado: Contra Penélope Miranda, cometido em contexto de violência doméstica e com emprego de arma de fogo/perigo comum.
- Homicídio Qualificado: Contra Thiciano Ribeiro, por motivo torpe, meio cruel, perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima.
- Lesão Corporal Culposa: Em relação ao taxista Paulo César Lopes Pereira, atingido de raspão a 40 metros do local durante os disparos. A juíza desclassificou a acusação inicial de tentativa de homicídio, entendendo que houve erro de execução (aberratio ictus).
A defesa do acusado alegou que o alvo era apenas Thiciano e que Penélope teria sido atingida por engano. A juíza rejeitou afastar a tese de feminicídio nesta fase, destacando que cabe ao Conselho de Sentença (Júri Popular) julgar a intenção do réu. A data do julgamento pelo Tribunal do Júri ainda será pautada.