As árvores da Pinheiro Machado, essas teimosas fabricantes de sombra, vento e canto de passarinho, parecem não combinar com o brilho elegante do concreto quente.
Afinal, pra quê raiz, se o asfalto floresce tão rápido?
Parnaíba decidiu evoluir.
Pra quê sombra, se o sol pode castigar sem interrupção?
Vão arrancando o verde como quem limpa um erro da paisagem.
E a cidade vai ficando moderna… cinza… silenciosa.
No fim, talvez descubram tarde demais:
não era a natureza que atrapalhava a cidade —
era ela que ainda fazia a cidade respirar.